quarta-feira, 8 de julho de 2009

Formação de Professores e Aprendizagem - Parte 4

Diferente da educação infantil, que precisa estar atenta a quantitativos, o problema principal que vem sendo combatido no ensino fundamental diz respeito à qualificação, tema inevitavelmente unido à formação continuada de professores.

O ECOAR é o grande programa de formação continuada voltado para todos os professores da SEMEC que trabalham com alunos das três séries iniciais do ensino fundamental.

O ECOAR já recebeu o prêmio “Além das Letras” da Fundação Gerdau e Instituto Avisa Lá. Está entre os 35 programas selecionados nacionalmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira / INEP – órgão do MEC – que concorreram ao prêmio “Inovações em Gestão Educacional”. Desde 2005, o objetivo do ECOAR é criar condições para o professor da rede estudar, refletir e reconstruir sua ação pedagógica tendo em vista a melhoria da aprendizagem do aluno. O ECOAR tem foco nas séries em que o aluno está em processo de alfabetização, pois é sabido que respeitadas pesquisas sobre o ensino fundamental invariavelmente apontam: início bem desenvolvido é certeza da conseqüente aprendizagem nas séries seguintes com regularização do fluxo escolar. Houve 2 cursos ECOAR – sempre com 6 dias intensivos de duração – em 2008, completando os 34 programados para o quadriênio, que contaram com a participação aproximada de 1.500 professores.



O registro mais importante é que o ECOAR não se restringe aos produtivos cursos semestrais, mas principalmente opera na rotina prática da escola, com assessoramento e avaliação periódica da aprendizagem. Os professores fazem os cursos mas depois são acompanhados em serviço nas escolas, aliando então teoria e prática. Nesse aspecto, merece ênfase o projeto de “Expertise em Alfabetização”. Sua meta é alfabetizar as crianças de 6 anos do ensino fundamental logo no primeiro ano. Em 2008, participaram da expertise 298 turmas de 57 escolas da SEMEC e 25 anexos, totalizando 7.132 alunos, isso depois do projeto piloto, em 2007, que acompanhou 26 escolas, 88 turmas e 2.307 alunos. A avaliação de outubro de 2008 apurou que 90% dos alunos já escreviam seus nomes, número que significava 60% no início do período letivo. Também em outubro, 50% das crianças apresentaram nível alfabético e silábico-alfabético enquanto, no começo do ano, tal indicador não passava de 6%.







A COED não se descuidou das séries seguintes do ensino fundamental e demais atividades escolares, promovendo, entre outros, os encontros: de professores do segundo ciclo sobre intervenção na escrita com 172 participantes; de coordenadores pedagógicos, para discussão e orientação sobre plano pedagógico e avaliação da aprendizagem, voltado a 260 pessoas; sobre documentação escolar para 120 diretores, coordenadores e secretários escolares; de práticas educativas interdisciplinares, dirigido a 220 técnicos e professores do terceiro e quarto ciclos.

Programas federais tiveram participação e acompanhamento local: “Provinha Brasil”, “Olimpíada da Língua Portuguesa”, “Educação Fiscal” e “Programa Nacional do Livro Didático / PNLD”.


Como a aprendizagem dos alunos é uma questão das escolas de todo o país, o MEC criou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica / IDEB, já medido nacionalmente duas vezes (em 2005 e 2007, portanto uma vez a cada 2 anos), a partir da quarta série do ensino fundamental, mas também na oitava e ao final do ensino médio. Reúne num só indicador dois conceitos importantes para a qualidade da educação: fluxo escolar e médias de desempenhos nas avaliações promovidas pelo INEP.

Os resultados bienais do IDEB são apresentados em escala popular de zero a dez, o que o torna facilmente assimilável e permite traçar metas de qualidade educacional de forma progressiva, ao longo do tempo, para cada escola, ampliando as possibilidades de mobilização da sociedade em prol da educação, uma vez que o índice é comparável nacionalmente. As metas são o caminho traçado bienalmente para que o Brasil atinja o patamar educacional que já tem hoje as médias dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico / OCDE. Em termos numéricos, significa evoluir a longo prazo (16 anos) desde a média nacional de 3,8 (registrada em 2005) até 6,0 (pretendida em 2021 – ano anterior ao bicentenário da Independência do Brasil).

Quanto à rede municipal de Belém, o primeiro IDEB de 3,0 medido para a quarta série em 2005 não diz respeito a resultados das ações da atual gestão que, naquele momento, apenas começava e, portanto, os alunos avaliados foram fundamentalmente orientados pela administração do quadriênio anterior. No entanto, a avaliação de 2007 atribuiu média 3,4 à rede pública municipal de Belém, o que torna significativa a evolução 2005-2007 e certifica os projetos da SEMEC a partir de 2005. A meta estabelecida pelo MEC foi superada e Belém já alcançou em 2007 a meta de 2009. Belém obteve resultados mais favoráveis em termos evolutivos do que a média do Brasil como um todo e a do Pará no total.

Por outro lado, cabe assinalar que as perspectivas do IDEB para 2009 são prometedoras, uma vez que a partir de tal medição deverá haver impactos benéficos da atuação do programa ECOAR voltado para as séries iniciais.

Entre as 61 escolas, as 18 com menor IDEB tiveram orientação da SEMEC e do MEC para a elaboração do Plano de Desenvolvimento da Educação / PDE. Individual para cada escola, o PDE tende a gerar uma cultura participativa de planejamento e gestão escolar a partir de necessidades e metas. No final do exercício, os técnicos de todas as demais escolas foram capacitados na produção dos próprios PDEs.










Muito além de permitir a prática de educação em moldes contemporâneos, a informática é sobretudo outro importante expediente da SEMEC para melhorar a aprendizagem dos alunos a partir da inserção do uso dos computadores nos projetos pedagógicos das escolas. As atividades com os alunos da rede pública nos laboratórios de informática educativa das 58 escolas já beneficiadas com os recursos tecnológicos têm a coordenação técnica e o acompanhamento do NIED – que possui prédio próprio especialmente voltado para a realização de cursos que visam à formação continuada dos professores da rede, bem como para o desenvolvimento de pesquisas voltadas às possibilidades de aprendizagem mediada pelas tecnologias da informação. Tem sido buscado o objetivo de associar os trabalhos no laboratório ao dia-a-dia da escola. A informática é usada na resolução de problemas, o que sempre implica em atribuir significado às informações oriundas de textos, quadros, imagens, gráficos, sons e vídeos, dispostos em um mesmo plano – quase sempre na internet – para desafiar o aluno a pensar, representar o pensamento, ler o mundo, buscar, construir e reconstruir conhecimento. Alguns programas de informática educativa contam com a parceria contínua do MEC, tanto no fornecimento de computadores como na oferta de participação da SEMEC em eventos nacionais de capacitação de educadores.




¹ Dos quais, 49 não funcionavam. Todos os 227 foram renovados.

² Das quais, 18 não funcionavam. Todas as 48 foram renovadas.

³ O crescimento depende de expansão da empresa de telefonia.




Hoje, 65 laboratórios de informática – entre eles, 8 foram construídos – estão instalados nas 58 escolas municipais, muitas vezes mais de uma sala por escola. Em 2005, havia apenas 22 laboratórios, cujos equipamentos foram renovados e atualizados em suas configurações ao longo do quadriênio, pari passu com as reformas na rede elétrica e a aquisição de móveis.



O SISMUBE é outro trabalho de vulto. É sabido que a população brasileira ainda não tem bons indicadores de leitura, embora vários programas estejam em curso no país. No entanto, a importância da leitura para o homem continua sendo cantada em verso e prosa. São indissociáveis os vínculos entre leitura e aprendizagem. Ler é um apelo à imaginação, tão necessária para conhecer o passado, entender o presente e construir o futuro com espírito crítico e autonomia. Esse juízo levou a SEMEC a constituir em 2006 o SISMUBE, que engloba ações da biblioteca central na sede e das bibliotecas progressivamente instaladas nas escolas. Em sua função de incentivar a leitura, o SISMUBE oferece acervo de livros para consultas de alunos, professores e comunidades do entorno de cada escola, promove cursos visando apoiar a gestão das bibliotecas, organiza eventos literários, distribui baús de livros, realiza oficinas educativas e sessões de contação de histórias, sempre com a certeza de que o uso dos livros é requisito essencial para permanente aprendizagem ao longo da vida. O SISMUBE comemora avanços como a entrega de 37 baús com literatura infantil, 41 bibliotecas das escolas já revitalizadas (o que significa adequar recintos, adquirir móveis, cuidar da refrigeração, escolher e disponibilizar livros) e mais 7 que demandaram construção de salas próprias, pois não havia espaço livre nessas escolas.






Os professores da rede com turmas na EJA foram beneficiados com formação em serviço e participaram de oficinas pedagógicas como, por exemplo, visando ao desenvolvimento da Etnomatemática.

Para qualificar educadores em História e Cultura Africana e Afro-Brasileira, prosseguiu para 250 professores, em 2008, essa programação continuada que a SEMEC persevera e que tem o lastro de convênio assinado com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação / FNDE. A idéia maior é promover a igualdade social e racial a partir do ambiente escolar, contribuindo assim para a implementação de dispositivo legal.



A SEMEC manteve o zelo com a educação especial, após a criação em 2007 do Centro de Atendimento “Gabriel Lima Mendes”. Foram instaladas 6 salas de recursos multifuncionais para alunos com necessidades educacionais especiais (sensorial, física, mental e altas habilidades / superdotação) atendidos por profissionais em constante aperfeiçoamento.

Outros programas de formação mereceram a atenção da SEMEC, sempre com vistas ao cumprimento do Termo de Adesão ao Compromisso de Todos pela Educação. Assinado com o MEC, esse termo prevê melhorias graduais da aprendizagem dos alunos antes que o Brasil comemore o bicentenário da Independência.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada por comentar no Blog da Semec.